Nepotismo é o termo que designa o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas tecnicamente, no que diz respeito à nomeação para ocupação de cargos na máquina pública sem concursos ou à promoção em cargos públicos sem os princípios básicos que deveriam nortear a administração pública. A legalidade, a impessoalidade, a isonomia ou igualdade, a publicidade, a eficiência e o mais esquecidos de todos, a moralidade são os princípios da moderna e democrática administração pública, porém não é bem isso que anda ocorrendo na vida administrativa de Ribeirão das Neves. A ocupação de cargos públicos através da indicação política é rotina na cidade, onde através do círculo de influências de secretários, de vereadores e ex-candidatos da eleição passada, de deputados, do prefeito e da vice prefeita, se beneficiam os aliados com a distribuição generosa e desenfreada de cargos técnicos e administrativos a pessoas leigas e sem um mínimo de formação na área em que foi alocado.
Toda essa história veio a tona quando foi divulgada no final do ano passado, uma súmula do STF (Superior Tribunal Federal) que proíbia a nomeação de parentes para ocuparem cargos na administração pública; assim sendo o MP ( Ministério Público interferiu e exigiu a adequação administrativa dos orgãos governamentais à nova ordenação jurídica. Várias pessoas foram dispensadas na época e outras, numa tentativa de se burlar a nova ordem legal, foram remanejadas para outras entidades ou níveis da esfera pública, num artíficio conhecido como NEPOTISMO CRUZADO, onde um funcionário parente de um politico do executivo é remanejado para o gabinete de outro politico do legislativo e esse por sua vez libera o parente que estava em seu gabinete para assumir o cargo vago no executivo, fazendo valer a máxima do “ você emprega um parente meu e eu emprego um parente seu”. Exemplo dessa jogada ocorreu com o irmão do atual prefeito, que ocupava duas secretarias no mandato anterior e teve que ser dispensado, porém por influência politica ou troca de favores pessoais, esse irmão do prefeito assumiu um outro cargo na Assembléia Legislativa de Minas Gerais como assessor do gabinete da Deputada estadual Glaúcia Brandão, porém esse ainda é visto diariamente circulando e entrando em repartições municipais, numa demonstração clara de que, mesmo não sendo de direito, secretário, de ter se desligado formalmente da prefeitura por impedimento da súmula, na realidade esse não perdeu o poder na cidade e de fato continua participando das rotinas e das decisões administrativas do município. Alheia a todas essas manobras a população se sente prejudicada a partir da concepção que os gastos exorbitantes com os altos salários dos apadrinhados impedem a atuação do poder público no patrocínio de medidas de alcance social e estrutural do município. “No meio político de Neves informações dão conta que o atual prefeito Wallace Ventura está preparando esse seu irmão para sair candidato a prefeito da cidade nas eleições municipais de 2012” confidenciou um vereador.
Apenas para se exemplificar os absurdos que andam ocorrendo na cidade, o secretário de segurança Pública e Trânsito de Ribeirão das Neves, que na última eleição teve ínfimos 579 votos, possui vários parentes ocupando cargos na administração da cidade.Na câmara municipal presidida pelo vereador FABIANO DINIZ que também tem parentesco com o prefeito da cidade, um sobrinho do secretário ocupa a função de diretor administrativo, já no CAIC uma irmã dele ocupa a função de coordenadora; no setor de informática e processamentos de dados do município um cunhado dele, apesar de ser funcionário efetivo, ocupa um cargo de chefia; outra sobrinha do influente secretário ocupa uma vaga no centro de referência do professor e até a vice prefeita deu um jeitinho de colocar alguns parentes na prefeitura: O Seu filho é secretário de meio ambiente e uma sobrinha dela é gerente de comunicação social do município, isso sem se falar no hospital São Judas Tadeu, onde a direção e vários outros cargos, muito bem remunerados por sinal, são ocupados por pessoa dos laços estreitos do prefeito. São tantos os descalabros de apadrinhamento que apenas para se ilustrar a gravidade do problema, os braços do nepotismo e da influência política alcançam bem além dos empregos públicos, já que há muito o que se questionar o poder municipal em relação aos vínculos deste com os proprietários de véiculos e dos imóveis alugados pela prefeitura.
Já que a bancada de vereadores de sustentação do prefeito é maioria na câmara municipal, há uma conivência dos vereadores novatos, os quais por interesses politicos questionáveis compactuam de uma perfeita sinergia nesse “esquema administrativo” do poder executivo. Como os cargos são poucos e os apadrinhados muitos, no ínicio desse ano a recém empossada bancada de vereadores tratou de aprovar na surdina e sem um mínimo de debate, um polêmico projeto de lei que ampliou a quantidade desses cargos de nomeação política a fim de satisfazer todos compromissos eleitorais assumidos com cabos eleitorais da campanha passada, inclusive consta na lista de beneficiados, o nome de vários ex candidatos que apesar não terem sido eleitos, usufruem de alguma maneira das “engenhosidades do esquema” da máquina administrativa local, assumindo cargos públicos, ou sendo contratados para funções de liderança em determinadas empresas de prestação de serviços as quais foram contratadas pelo município para gerir “ apoio administrativo . São as mazelas do município, cujas receitas são dilapidadas pela falta de ética e pela falta de compromisso com uma sociedade quê, a décadas sofre com os problemas e os estigmas de uma cidade carente de investimentos sociais. E o pior de tudo é que essas pessoas ainda têm a “cara de pau!” de, através de matérias pagas, se pronunciarem na mídia, geralmente reclamando que os Promotores de Justiça da cidade estão “pegando no pé”. Nesses fatos que atualmente estão a ocorrer na administração publica de Ribeirão das Neves pode ate se vislumbrar uma possibilidade, ainda que remota de legalidade, mas padecem pela falta de publicidade, de isonomia, e pelos excessos de imoralidade.
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