VOZ DO POVO

EDITORIAL

SAÚDE É COISA SÉRIA

Apesar dos poucos registros sobre a vida do santo São Judas Tadeu, a devoção popular fez dele o santo das causas impossíveis. São Judas era primo de Jesus, sendo escolhido como um dos 12 apóstolos e era conhecido pela dedicação nas pregações do evangelho. O santo foi morto a machadadas.

Talvez pela tragédia e pela violência na morte do santo, em Ribeirão das Neves o único hospital da cidade procura fazer jus não apenas ao nome dele, mas ainda se esforça para manter ao "pé da letra" o titulo de São Judas Tadeu, além evidentemente de se esmerar para copiar as indesejáveis características que marcaram a vida do homenageado.

No hospital São Judas Tadeu, tragédias e violência contra pacientes caminham juntas num órgão público de saúde onde causas impossíveis a simples mortais ocorrem todos os dias. Lá você pode ser examinado e se diagnosticar um "surto virótico" e minutos depois você pode vir a morrer de infarto ou de pneumonia no portão de sua casa. Um paciente pode chegar com uma dor na barriga e sair com a cabeça quebrada pelas cassetetadas de guardas municipais que tratam logo de te perguntar o que você veio fazer ali. Você pode chegar de maca e a maca se quebrar, quebrando também o seu braço ou uma perna; enfim lá tudo pode acontecer menos você ser atendido. Apesar de nunca ter vaga para internação, o paciente pode ficar "jogado" mais de duas semanas em cima de uma maca no corredor esperando por uma simples cirurgia no pé e sair de lá sem o pé que aguardava a cirurgia; e sem a cirurgia. Outra hora pode uma atendente terceirizada que não têm nada para fazer ali, mas arrumou emprego no São Judas devido a ter "pistolão"( Não sei direito se é ela ou quem a empregou que tem, mas como isso não nos interessa, afinal eu também tenho o meu pistolão, mas a utilizo para a finalidade precipua e não como um membro empregatício prá ninguém e nem prá mim.) resolver chegar perto de você arrastando pelos desgastados corredores, um suporte de ferro enferrujado, que trás pendurado um frasco de soro que não se sabe onde ela arrumou, se oferecendo para um e outro, sem técnica nem cerimônia, para lhes enfiar na veia afora ou adentro, como se fosse um camelô dos desvalidos, aquela água salobra. Melhor seria se ela tivesse passando pelos corredores carregando os frascos numa caixa de isopor e gritando: "Olha o soro, olha o soro, quem vai querer..." Pelo menos você teria uma opção de escolha, você até poder fingir que não está vendo nada, mas se se negar em recebê-lo, ela te obriga a assinar um termo de que "não quer atendimento" mesmo sem você ainda estar "sorado" ou sarado.

Você pode ensaiar uma rápida e estratégica saída de fininho, más te aconselho, desista...outros já tentaram e se deram mal. Ela sabe o que você está pensando e até o que você fez ontem à noite, ela vê em seus olhos a sua "má intenção" e assim, de quebradinha, bem escondidinho ela rapidinho chama através de um desconhecido linguajar "QAP...QRV" um guarda roupa 4x4, que recebe um salário 1x1, que chega vestido com um uniforme azul trazendo nas costas a inscrição "Guarda do hospital" (ou era guarda municipal, se não me engano?) que a ela responde "QSL" e lhe dá (em você) umas bordoadas no cocuruto não antes de te intimidar  com um "QRX" e de também não te deixar nem pegar um pouco de ar puro na porta do impuro nosocômio e prá lhe refrescar as suas ideías ele ainda te recorda..."Olha o desacato...Olha o descato..."(Outro dias destes um deles tomou uma certeira capacetada na fuça e o coitado do agressor ainda teve que sair evadido numa Twister azul amarelada e se escafedeu pro lado do Santa Martinha...Ou será que era vermelha esbranquiçada?...Sei lá, eu não entendo nada de cores mesmo). 

Outra hora você pode dar entrada no São Judas Tadeu com uma dor na goela e sair de lá defecando calças abaixo devido a uma indisposição gástrica (ou seria cagastrica?) provocada por um ensebado e gorduroso marmitex que foi preparado por um botequim "copo sujo"do centro da cidade (Só não me lembro se tinha torresmo). Também no São Judas Tadeu se consegue a impossível causa de ser um hospital que apesar de nunca atender ninguém, ainda assim detém o mórbido título de ser um lugar onde mais se morre entre os hospitais da região. Tanto que "de bom" para o impaciente paciente, um talentoso negociante montou uma funerária, bem coladinha ao hospital e cujos negócios, diga-se passagem, estão indo de "vento em polpa", mas como alegria de pobre às vezes dura pouco, prevendo um excesso de demanda pela clientela do outro mundo, numa concorrência desleal com a iniciativa comercial, o público prefeito com uma visão da privada, confrontou a iniciativa do empresário dos defuntos, mandando construir a umas poucas centenas de metros dalí, um imponente cemitério-parque, aliás, a idéia dele foi prática, criativa e oportuna já que em Ribeirão das Neves também não existem ambulâncias para socorrer os doentes ou um transporte digno para que o público privativo do hospital das causas impossíveis procure amparo médico hospitalar em outro lugar. Essa idéia do inteligente administrador que apesar de não ser lusitano, pratica um " pois pois", facilitou em muito a vida dos "moribundos sem recursos" da cidade. Sem atendimento es em ter como sair da cidade para outros centros, o usuário poderá ter outras opções na sua usuarável vida: Se tiver um pouquinho mais de recurso, pode caminhar uns 50 metros e combinar um enterro digno na funerária do particular, mas se tiver menos recursos e um pouco mais de saúde, a prefeitura lhe dá uma opção quase gratuita de ir andando na frente, uns 600 metros adiante, para reservar uma vaga no ambiente VIP do "bosque da esperança" no Cemitério-parque Porto Seguro, contudo se ele quiser contrariar aos urubus que revoam a cidade e as secretarias da prefeitura municipal, melhor que leve, por via das dúvidas, pelo menos uns R$ 80.00 para pagar as despesas com a abertura da cova.

Por mais que a minha humilde concepção me apoquente as idéias, ainda não consegui entender porque se construiu um hospital onde não se coloca médicos para trabalhar e nem diretor para administrar. É como se você abrisse um botequim que não vendesse pinga, uma farmácia que não venda remédio ou um restaurante que feche na hora do almoço.

Bom, melhor deixar prá lá... Para uma cidade como Ribeirão das Neves que tem prefeitura, mas não tem prefeito, isso também deve ser normal. 

.

.

Por Marcos Figueiredo

Marcos Figueiredo é diretor do NEVESNEWS.COM.


NEVESNEWS.COM - Informação para você que pensa
Fones 31 3347 3164  - 31 8311-0115
Emails de contato: contato@nevesnews.com ou faleconosco@nevesnews.com