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A DANÇA DAS RAPOSAS

Falta de experiência, de criatividade e de personalidade política podem provocar o afastamento dos políticos com as bases eleitorais. 

CAMARA

Apesar do pouco tempo de mandato e da falta de experiência política de quase toda a bancada de vereadores da câmara municipal de Ribeirão das Neves, a absorção de articulações políticas impopulares voltadas para a satisfação de interesses individualizados e personificados, acenam para a possibilidade da manutenção de currais eleitorais no município. Esse ultrapassado formato político adotado pelo coroneis e fazendeiros nordestinos durante o século XIX e meados do século XX, tem impedido a ocorrência de importantes e necessárias transformações nas estruturas socio-politicas de Ribeirão das Neves e demonstram claramente a intenção do executivo e do legislativo municipal em dar continuidade a ultrapassada forma de fazer política na base do "é dando que se recebe" herdada de seus antecessores.


VEREADORES NOVATOS APRENDERAM RÁPIDO AS ARTIMANHAS DAS RAPOSAS

Apesar de ter pouco mais de 02 meses de funcionamento desde a posse dos eleitos, os novos vereadores aprenderam rápido a lição deixada pelos seus antecessores. Numa das primeiras votações dos estreantes na renovada casa legislativa, eles trataram de aprovar às pressas um projeto do prefeito Wallace Ventura que ampliou os cargos de secretários municipais e dos comissionados da prefeitura. Esse projeto que foi aprovado em hora errada, com certeza vai dilapidar ainda mais as escassas receitas do município mas como não haviam na anterior máquina administrativa, cargos disponíveis para atender a todos os cabos eleitorais e para dar cumprimento aos vários conchavos políticos concretizados durante o processo eletivo do ano passado, o prefeito preferiu a cômoda solução de aumentar despesas com o malfadado projeto, ao invés de promover uma reforma capaz de adequar a máquina administrativa a atual realidade politico-econômica do município. A aprovação do projeto foi rápida, pois havia também o interesse dos vereadores em sua aprovação já quê, uma grande parte dos novos apadrinhados foram batizados no ritual da barganha política desses legisladores com o executivo municipal. A aprovação foi tranqüila e passou quase que despercebidamente nos meios de divulgação, pois ao tramitar na "surdina" evitou-se uma ampla discussão de um projeto tão polêmico quanto esse. Outra lição muito importante que os inexperientes legisladores municipais aprenderam e em tempo recorde, foi a de como driblar a presença do povo. Eles usaram uma tática criativa, mas no mínimo desprezível. Na semana passada, o sinde-UTE , sindicato dos trabalhadores na educação fez uma reunião com seus filiados para discutirem os rumos do projeto de lei que regulamentam as eleições diretas para diretores das escola da cidade. Na reunião foram debatidos todos os pontos do projeto que está parado na câmara desde o ano passado. Nesse encontro se despertou a necessidade de aceleração no projeto, haja vista que alguns profissionais já estavam se mobilizando para a candidatura a diretores mesmo diante das incertezas e das resistências políticas ao projeto. Após a reunião, os sindicalizados resolveram ir a câmara municipal para angariar apoio, porém quando o grupo chegou, foram barrados de entrar na casa. A direção da câmara acionou a segurança interna, a guarda municipal e a polícia Militar para impedir o acesso da comissão de professores, os quais queriam apenas entregar aos vereadores, as reivindicações da categoria e discutir a viabilidade e benefícios da adaptação do projeto às suas reivindicações. Após vários incidentes, os vereadores resolveram autorizar a entrada dos professores e usaram uma tática imoral e antidemocrática para evitarem o debate: Assim que os profissionais da educação entraram, eles simplesmente saíram, deixando o plenário vazio. A câmara de vereadores de Ribeirão das Neves possui uma bancada 14 vereadores, sendo que destes, três são professores, porém nem eles apoiaram as pretensões de seus colegas de classe. A categoria quer retirar do projeto o artigo que permite ao professor contratado a candidatura ao cargo de direção da escola onde trabalha. somente teriam direito a concorrer, os professores efetivos. A classe rejeita esse artigo e com toda razão, pois se um professor foi contratado para trabalhar numa escola através de indicação política, com certeza na direção daquela escola, ele continuará vulnerável e sujeito às ingerências de políticos mal-intencionados, tal seja, se ele se rebelar às determinações de seu padrinho, certamente será penalizado com a perda do contrato de professor e consequentemente o de diretor. Atualmente a ocupação de cargos auxiliares  e de direção de escola ocorre através de indicação política. Na realidade tanto a prefeitura, quanto a câmara de vereadores estão relutantes nas reivindicações dos profissionais porque ambos têm interesses eleitoreiros na área da educação. Nos últimos anos várias foram as tentativas do executivo de manipular as reinvindicação da classe, inclusive a algum tempo, num passado ainda não muito distante, alguns presidentes do sinde-UTE de Ribeirão das Neves foram agraciados pelo executivo com cargos de direção em escolas municipais o que é inaceitável para os sindicalizados que entendem essas indicações, como um “ cala a boca” capaz de minar as pretenções da classe. Até hoje alguns desses sindicalistas ainda ocupam cargos de diretores de escolas, mas tiveram que se afastar da luta sindical devido às pressões da categoria, inclusive um deles chegou descaradamente a acumular os dois cargos, um de presidente do sinde-UTE local e outro de diretor de escola indicado politicamente. Paralelo a toda essa situação, o que tem provocado indignação aos sindicalizados professores é que, até a pouco tempo atrás, o atual prefeito de Ribeirão das Neves ainda sujava as mãos no pó de giz das salas de aulas da cidade. É como diria o imortal Coelho Neto: "Os senhores(prefeito Wallace e os vereadores, principalmente os 03 da bancada de professores) estão cuspindo no prato em que comeram", contudo para que a justiça seja feita é razoavel esclarecer que apenas os vereadores Lelo, Fábio Caballero e Carvalho Neves foram favoráveis as pretensões dos mestres da educação.

Paulo Santa Cruz exclusivo para NEVESNEWS

 

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